6 autistas contam como é ter autismo

Como é ser autista? Essa pode ser uma pergunta especialmente difícil de responder. Em primeiro lugar, porque um dos sintomas mais marcantes do autismo é a dificuldade na comunicação. Além disso, o autismo não é uma doença propriamente dita e sim um espectro de distúrbios, de diferentes intensidades e características.

Mas na rede social Reddit, usuários autistas tentaram colocar em palavras como é viver dentro desse espectro – e deram respostas bem interessantes.

A maioria das mensagens vêm de pessoas com Síndrome de Asperger, ou aspies, como elas mesmas se apelidaram. É uma forma mais leve de autismo, em que as pessoas podem ser “altamente funcionais”, ou seja, estudar, trabalhar e ter relacionamentos como qualquer outra pessoa.

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É claro que, mesmo nesses casos, os autistas do Reddit relataram uma série de dificuldades. Isso porque se comunicar com as outras pessoas não é fácil – uma mesma frase pode ter vários significados diferentes dependendo do tom de voz e da linguagem corporal usada. E, segundo o pessoal dos fóruns, não se confundir nesses detalhes é um dos maiores desafios para quem está dentro do espectro autista.

Mas muitos deles também criaram mecanismos para se adaptar. Um dos relatos mais bem humorados é do usuário not-the-NSA (que além de tudo, tem um belo username). Ele lida com situações sociais com “checklists mentais”:

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Numa balada, por exemplo, ele descreve sua checklist da seguinte forma:

Segurança legal – fazer piada, não se assustar com soquinho amigável no ombro.
Segurança babaca – mostrar identidade, não ficar lá parado

Bar vazio – puxar papo com o bartender, pedir a bebida
Bar cheio – só fazer o pedido

Mulheres animadas conversando – não interromper
Mulher entediada/sorrindo para ele – puxar conversa

Tudo isso, ele explica, são protocolos sociais que ele repete mentalmente de forma quase robótica, nem um pouco natural.

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Em algumas, situações, é claro, não dá tempo de planejar tudo isso. E aí vem a sensação relatada por Gayore819, de estar sendo avaliado em uma prova para a qual você não estudou. O que não quer dizer que todo autista prefere o isolamentos. Pelo contrário: muitas das mensagens manifestavam solidão e vontade de estar em grupo, fazendo amigos.

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A UnusualSoup, uma das poucas mulheres a se pronunciar sobre o distúrbio, que atinge os homens com mais frequência, explicou que seus amigos precisam estar dispostos a lidar com alguns hábitos diferentes. “Ser meu amigo significa entender que eu não posso te encontrar no shopping, você precisa passar em casa e ir comigo”.

Ela também menciona que é difícil lidar com perguntas como “Essa roupa fica boa em mim?”. A resposta mais comum das pessoas sem autismo é uma mentirinha para agradar. Aí, a sinceridade direta do autista pode machucar sem intenção.

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Outro ponto levantado pelos usuários é que falta de empatia não é uma característica de todos os autistas, como se costuma dizer. Alguns deles, de fato, têm dificuldade de se colocar no lugar do outro e entender o sentimento alheio. Mas outros dizem que sentem empatia extrema, muito acima do normal. A usuária tinned_peaches tem um filho autista que parou de assistir filmes. Quando algo ruim, mesmo que fictício, acontece, ele fica tão triste que se estressa. Nem Peppa Pig se salva: o irmão mais novo da porquinha, George, chora bastante – e o sofrimento dele é quase insuportável para a criança.

Em certo ponto da discussão, o jogo virou. Os autistas perguntaram aos usuários do Reddit: como é não ser autista? Alguns tentaram explicar que conseguem intuir a forma de deixar a outra pessoa confortável ou interessada na conversa, sem esforço. A resposta não fez sentido nenhum para Priderage, um usuário com autismo: “É como se você estivesse dizendo que come sua casa de café da manhã e veste a construção para ir ao trabalho”.

Alguns deles também destacaram a importância da internet para lidar com essas dificuldades. Enquanto muita gente vê a interação pelas redes sociais como artificial ou distante, para alguns autistas é o paraíso. Com tempo para escrever, apagar e editar, eles se sentem confortáveis para traduzir o que se passa no mundo deles – e todo mundo ganha com isso.

 

Fonte: Super Abril

Conheça também as páginas:

Facebook – Psicóloga Camilla Hoffmann

Facebook – Convivendo com ansiedade

 

 

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